segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Não pude me conter

Não pude me conter
Mesmo em coma
Sem possuir
As palavras certas
A dizer em grandes
Linhas de caderno
Decidi me jogar
Por completo
A elas
Como se estivesse
Me atirando
Do último andar
Em chuva caindo
Sem parar tentando
Cicatrizar as feridas
Causadas em minha vida
Dos momentos que senti
O sangue se espalhar
Em momentos de dores
Pelas paredes
Onde me escondi
E reservei
Toda a melancolia
Que soube abraçar me
Arrancando
Toda minha
Força de vontade
A reviver novamente
Mas recaí e soube
Quanto cai
Mais e mais
Ao penhasco
Que passei
A viver mais e mais
Não pude me conter
Vomitei todas as letras
Pelo caderno
Que o faço
Minha relíquia
De minhas poesias
Que me faz
Ter esperanças
Em minha revolução
Ao meu mundo
Que pede ajuda
E uma luz a enxergar
Não pude me conter
Soube bem como
Dominar entre meus dedos
A magia de novamente
Recuperar todas minhas palavras
Que as perdi quando
Me fechei ao um momento
Que me deparei
Ao ver em meus pesadelos
Aquilo tudo que em minha direção
Me atormentava dias e dias
Em dias de sonos profundos
Que passava a me assustar
Com todo horror
Ocorrendo em minha vida
O medo e a falta
De acreditar em mim
Não pude me conter
Ao vomitar
Toda vontade de
Reescrever toda história
Que deixei de escrever
Quando estive
Adormecido onde perdi
Uma parte de meu corpo
Quando me deparei
Com o submundo
Me cortando ao meio
Deixando me
Ao meio da rua
Todo ensanguentado
Sentindo o evaporar
Do meu sangue
De minha vida
Está virando
Um simples pó
Não pude me conter
Devia a milênios
Gritar a quilômetros
A soltar desabafos
Que apenas me faria
Estar melhor
Gritando e deixando
Minha alma se descolar
De minha pétala de flor
Que preserva
Minha história
De não se deixar
Voar ao vento
Para sempre
A não deixar
Minha identidade
Se tornar
Uma sombra
Apenas